Maringá, 13 de Novembro de 2018
GLOBAL BENEFÍCIOS Black Bull Steak House
 
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ADEMAR SCHIAVONE
Memórias de um bom sujeito
 

AS MAIS LINDAS PALAVRAS DE AMOR SÃO AS DITAS NO SILENCIO DE UM OLHAR.


COMO CAÇAR PORCOS SELVAGENS
Conta a  historia que um jovem imigrante, estudante de uma universidade,  tinha uma má postura na sala de aula, que incomodava aos professores e alunos. Estava sempre meio torto.
Numa determinada aula pressentindo o olhar dos companheiros, perguntou à classe:
- vocês sabem como se caça porcos selvagens?
Todos olharam sem entender.
Ele, calmamente, explicou:
-  primeiro você coloca milho à vontade para que eles comam livremente. Passado alguns dias, depois que se acostumaram, faz uma cerca bem forte num dos lados da seva. Eles irão estranhar, mas voltarão para comer do milho.  Em seguida você coloca cerca noutro lado.  Irão estranhar de novo, mas como não tem que procurar comida que está farta, voltam tranquilamente.
Você então cerca outro dos lados e a comida continua dentro.
Os porcos vêm com desconfiança, mas vêm.
Quando estão bem cevados, você cerca o ultimo lado deixando apenas uma pequena passagem de entrada, sem possibilidade de saída.
Todos estarão presos e à sua disposição.
Todos, professor e alunos, ficaram sem entender nada.
O jovem novamente explicou:
- foi exatamente assim que aconteceu no meu país de nascimento, a Iugoslávia. O governo ditatorial primeiro deu leite, depois pão, depois cesta básica, depois bolsa escola, bolsa família, em seguida gás, passe livre, auxilio desemprego, auxilio moradia, etc. etc. etc. O povo acostumado a comer sem trabalhar idolatrou os ditadores que se seguiram e a miséria se espalhou por toda parte.
A má postura que tenho é fruto de uma bala alojada na minha coluna quando escapei para o mundo livre em que vivo.
Qualquer semelhança com o que acontece em países da America latina é mera coincidência, fruto da imaginação de quem escreve.
Ou de quem tem consciência do presente em que vivemos.


MEMORIAS DE UM BOM SUJEITO
Sou um homem privilegiado.  Protegido pela sorte.  Amparado por Deus.
Em toda minha vida nunca senti uma única vez uma dor de cabeça ou fiquei gripado.
Uma dádiva sem duvida.
Dor de dente,  lembro-me de uma única vez.  Era bem pequeno. Tinha no máximo uns nove ou dez anos.
Acordei com uma dor enorme.  Um dente estava inflamado.
Minha mãe levou-me para o dentista.
Era o Dr. Arno Vier que tinha um consultório – dos primeiros de Maringá – na avenida Brasil.
A luz que iluminava o ambiente, era a do sol.
A cadeira ficava bem junto à janela que estava completamente aberta e virada para fora de modo que a luz solar fosse muito bem aproveitada.
O motor que acionava a broca era tocado a pedal, com o pé do dentista.
Ao examinar-me,  o dr. Arno já deu uma bronca.
A escovação era deficiente e ele ralhou mesmo.
Como estava inflamado precisava de uma anestesia.
Meu Deus: que coisa atroz a anestesia naquele tempo.
A agulha era enorme e na medida em que era introduzida na gengiva, doía barbaridade.
O resultado dessa primeira ida ao dentista foi a extração do dente, que felizmente, ainda era dos de leite, aqueles primeiros que a gente  tem e que perde ao longo dos anos.
Fico pensando cá com meus botões: o Arno Vier, o Augusto Pinto Pereira, o Primo Monteschio, primeiros dentistas da cidade, eram verdadeiros heróis.
Faziam da profissão uma arte. A única vantagem que tinham era de que não precisavam caminhar para manter a forma. Pedalar o dia inteiro para acionar o motor da broca, já era um exercício mais do que cansativo e, sem duvida, ajudava no manter a forma física de cada um.
Tempos heróicos os dos primeiros dentistas de uma vila que se tornaria cidade.


PARA DESCONTRAIR
Um cidadão idoso, de cabelos brancos, entra num ônibus e senta-se ao lado de um jovem bem diferente: cabelos pintados de  azul, verde, vermelho e bem levantados num topete enorme.  Nas orelhas brincos grandes e vistosos.  Nos lábios piercings pontudos e brilhantes.
O vovô ficou olhando boquiaberto e admiração para o punk.
O menino ficou incomodado.
- O que há. O senhor nunca fez uma bobagem na vida? , perguntou o jovem.
- Claro que fiz.  Há uns vinte anos atrás fiz sexo com uma arara e estou achando que você é meu filho...


PREÇO DA LIBERDADE
Num dia desses, num semáforo, fui abordado por um jovem alto, barbudo, roupas esfarrapadas, sujo e com um skate debaixo do braço.  Pediu-me dinheiro para comer.
Eram nove horas da manhã.
De imediato ofereci cinqüenta reais para que trabalhasse durante umas três horas transportando lajotas de um lugar para outro. O serviço era próximo de onde ele estava e, para um jovem forte como ele, de fácil execução.
Foi incisivo e brusco:
- sou morador de rua.  Não trabalho e não quero emprego.  Ou me dá o dinheiro ou não dá.  Só isso. Eu vivo na rua e nem penso em ter patrão.
Confesso que fiquei p da vida.
Eu já passei dos setenta e continuo trabalhando prá viver. Ofereço serviço para o sujeito, ele recusa e ainda por cima esnoba minha oferta.
Nesta semana contei a historia para o Dr. Francisco Coimbra, o cardiologista mais competente de Maringá e que além de meu medico é meu amigo. Um dos mais cultos que tenho.
O Coimbra deu uma definição curta e precisa:
- O Preço da liberdade é o abandono.
Fiquei meio sem entender.
Ele explicou:
- Toda pessoa que é livre, sem nenhum compromisso com a sociedade ou com os homens, paga o preço por essa liberdade.
É como um cachorro que não tem dono. 
Não obedece a ninguém.  Só come o que encontra ou o que se lhe é dado.  Em compensação é livre, completamente livre. Vai para onde quer.
Não segue regras e nem tem norma de conduta. É um cão abandonado.
Assim também é o homem completamente livre.
O preço da sua completa liberdade é o abandono da sociedade. 
Fiquei a pensar na definição do meu amigo Coimbra.
Ele tem mesmo razão.
Aquele maltrapilho, forte e saudável na aparência, que se diverte no meio da rua em cima do seu skate, possivelmente é mais livre que muitos ou a maioria de nós que vivemos presos às regras e às condicionantes da sociedade em que vivemos.
É só uma questão de ponto de vista.

BOA SEMANA A TODOS

 
  
Os artigos, conceitos e opiniões pessoais são de inteira responsabilidade do autor.
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