Maringá, 13 de Dezembro de 2018
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06.03.2018
Maringaense é detida pela Polícia Federal
A Polícia Federal deflagrou no começo da manhã de ontem (5) a 3ª fase da Operação Carne Fraca, iniciada em março de 2017 em todo o Brasil.

Como forma de combater a corrupção e outros crimes em empresas do ramo alimentício e agropecuário, a ação desenvolvida há um ano chegou nessa segunda-feira a Maringá e municípios do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Goiás. Ao todo, a Justiça Federal do Paraná decretou 91 mandados de buscas e apreensões, conduções coercitivas e prisões temporárias, sendo de uma maringaense.

Denominada de “Operação Trapaça”, o foco da terceira etapa da Carne Fraca se deu em um complexo esquema de fraudes na empresa BRF, envolvida em corrupção ao lado da JBS e outros frigoríficos menores nas investigações do ano passado. Com base em uma denúncia de uma ex-funcionária e em análises da Polícia Federal, o esquema envolvia a adulteração de resultados de laboratórios que teriam como objetivo detectar a presença de irregularidades, como bactérias, em produtos da companhia que detém diversas marcas líderes de consumo no mercado nacional.

Juntamente de Maringá, outras quinze cidades receberam cerca de 300 policiais federais e dezenas de auditores fiscais agropecuários para o acompanhamento das investigações em empresas e residências de envolvidos diretamente nas fraudes e possíveis testemunhas arroladas a partir do desdobramento da operação inicial. Por meio da atuação policial dessa segunda-feira e que também ocorrerá ao longo desta semana, porém, sem indicações específicas, a Polícia Federal busca compreender de forma exata de quais maneiras a fraude era elaborada e executada no sul, sudeste e centro-oeste do Brasil pela BRF, que dispõe de empresas como a Sadia, Perdigão, Batavo, entre outras.

Fraude
De forma orquestrada, mas ainda de modo desconhecido na totalidade, até o momento descobriu-se que a fraude ocorria contra o Ministério da Agricultura especificamente na entrega de resultados de análises laboratoriais relacionados a presença da bactéria salmonela. Em índices acima do permitido pelo Governo Federal e respectivos governos de países em três continentes que importam a carne brasileira, os números eram adulterados para uma quantia menor do que a que realmente estava presente. Apesar de ser uma bactéria nociva para o ser humano, é totalmente destruída pela fritura ou cozimento adequado do produto animal.

Até o momento sem qualquer relação com a equipe interna do Ministério da Agricultura, servidores do órgão auxiliarão nas investigações visto que os laboratórios privados que supostamente participaram da fraude possuem credenciamento por parte do Estado brasileiro, junto à Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA). Também nesta terceira etapa da Carne Fraca, o objetivo é esclarecer em que nível a condição sanitária de carnes era fraudada e se, independente do preparo por parte dos consumidores, os níveis poderiam ser maléficos para a saúde humana. Como parte da iniciativa, foram expedidos 11 mandados de prisão, 27 de condução coercitiva e 53 de busca e apreensão. Dentre as situações de maior destaque, a prisão do ex-diretor presidente da BRF, Pedro de Andrade Faria, em São Paulo, chamou a atenção devido ao cargo e o poder que o executivo exerceu sobre a empresa.

Entidades
Por meio de nota horas após a divulgação da operação pela Polícia Federal, o Ministério divulgou nota para comentar a situação e apoiar a medida já com o anúncio de procedimentos adotados a partir dessa segunda-feira. Como ainda não foi comprovado, apesar dos fortes indícios, os laboratórios, nenhum paranaense, tiveram os credenciamentos suspensos com o Governo Federal até a finalização da investigação, ainda sem data concreta. Ao mesmo tempo, os estabelecimentos alimentícios pertencentes à BRF tiveram a liberação de exportação suspensa para países da América, Ásia e Europa que exigem requisitos sanitários específicos e tipificados da salmonela.

Mesmo com a gravidade, tanto o Governo Federal, como outras entidades ligadas à área divulgaram notas para afirmar que não há riscos para a saúde pública.

De forma a ser colocada em prática progressivamente, a Secretaria de Defesa Agropecuária garantiu, também, o aumento da frequência de análises de amostragem para as empresas resolvidas, implementação de novos modelos de controle de laboratórios credenciados e aperfeiçoamento de técnicos e aprimoramento de ferramentas voltadas para o combate em outras possíveis fraudes em execução ou para o futuro. Ações realizadas em períodos específicos de tempo por parte do Serviço de Inspeção Federal também serão ampliadas para que um esquema como esta descoberta na Operação Trapaça seja coibida.

Em concomitância com o Governo Federal, o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) também divulgou nota em apoio a terceira fase da Carne Fraca, principalmente mediante a liberação de contingente expressivo de auditores para o acompanhamento das operações nas cidades dos cinco estados. Com a presença dos profissionais da área, em nível federal, a entidade compreende que a identificação de fraudes na emissão dos laudos por parte dos laboratórios será facilitada visto maior familiaridade com os locais e os procedimentos que os policiais federais envolvidos. Por fim, a Anffa defendeu um sistema de inspeção mais rigoroso e a utilização de servidores públicos e independentes para atuar no combate a casos de fraudes e corrupção.

Maringá
Em entrevista coletiva concedida na sede da Polícia Federal, em Curitiba, o coordenador da operação, delegado Maurício Moscardi Grillo, afirmou que quatro unidades da BRF no Brasil, em Carambeí (PR), cerca de 325 quilômetros de Maringá, e em Rio Verde (GO), Chapecó (SC) e Mineiros (GO) foram alvo nessa segunda-feira. Ao mesmo tempo, Maringá, Ponta Grossa, Piraí do Sul, Ipiranga, Palmeira, Curitiba, Dois Vizinhos, Toledo e Castro também receberam policiais que encaminharam testemunhas para depor, além de buscas e apreensões.

Por volta das 9h, a maringaense Harissa Silvério El Ghoz Frausto, graduada em farmácia pela Unicesumar, com habilitação em análises clínicas e especialização em gestão da qualidade de alimentos pela mesma instituição, foi presa pelos agentes da Polícia Federal em Toledo. Após a detenção, foi encaminhada para a superintendência da PF em Curitiba. Gerente-técnica em um laboratório localizado em Maringá, até o final da tarde de ontem os policiais não haviam divulgado a motivação exata da prisão temporária de Harissa, que deve permanecer isolada, na capital do Estado, pelo menos até esta sexta-feira (9).

Segundo a assessoria da entidade, todos os detidos possuem ligações com a BRF e cada caso específico será esclarecido.

Cláudio Santos
 
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