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Brasil e Paraguai negociam reabertura de comércio de fronteira com guichê sanitário

Pelo modelo em discussão, compradores poderão realizar encomendas online e em seguida serão autorizados a cruzar a fronteira apenas para retirar as mercadorias em postos de distribuição que devem ser instalados do lado paraguaio.

Compradores brasileiros poderão, no exemplo de Ciudad del Este, acessar o centro de distribuição onde receberão a mercadoria e em seguida retornarão para Foz do Iguaçu. Haverá um limite de US$ 500 que cada pessoa poderá adquirir.

Interlocutores disseram à Folha que a reabertura total dos centros comerciais nas cidades paraguaias para visitantes estrangeiros não está em discussão no momento.

Com um sistema de saúde limitado e pouco acesso a insumos de combate à Covid-19, o Paraguai adotou regras duras de confinamento e fechou suas fronteiras, temendo a importação de casos de coronavírus principalmente do Brasil —epicentro da epidemia na América do Sul.

O país vizinho registrou até o momento 6.060 casos confirmados da doença, com 61 mortes. Por outro lado, o Brasil tem quase 3 milhões de casos e mais de 97 mil mortos.

O governo paraguaio está especialmente preocupado com o risco de avanço do vírus na região do Alto Paraná, onde fica Ciudad del Este.

O vice-ministro de Relações Econômicas e Integração da chancelaria paraguaia, Didier Olmedo, disse à Folha que ambos países buscam estabelecer um “projeto piloto” para dar um alívio para o comércio de fronteira, fundamental para o país vizinho e fortemente golpeado pela crise da Covid-19. Ele destacou, no entanto, que haverá protocolos sanitários para conter o avanço da doença.

“Estamos confiantes num acordo já nos próximos dias, estamos muito perto”, disse. Ele destacou que a saída estudada não atende completamente à queda no volume de negócios no comércio de fronteira, mas que se trata de uma solução que respeita as necessidades de proteção contra o coronavírus.

“Essa atividade econômica [comércio de fronteira] ficou praticamente paralisada. E um dado importante é que um terço de tudo o que o Paraguai importa é destinado para o comércio fronteiriço”, disse.

No fim de maio, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chegou a pedir ao presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, a reabertura das fronteiras. O paraguaio, no entanto, disse que não poderia flexibilizar as restrições naquele momento.

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