Início Policial Trinta anos do sequestro do empresário maringaense Samuel Tolardo

Trinta anos do sequestro do empresário maringaense Samuel Tolardo

Ozélio de Oliveira participou de dois sequestros de grande repercussão nacional: o do empresário maringaense e do irmão da dupla Zezé de Camargo e Luciano, em Goiás. Foi morto em confronto com a PM do Paraná

A vítima foi liberada mediante pagamento de resgate, mas o desfecho do crime foi o trágico cerco policial a um ônibus escolar sequestrado pelos bandidos no Vale do Ivaí.

Esta semana faz 30 anos do sequestro do empresário maringaense Samuel Tolardo, que foi capturado dia 14 de setembro de 1991 na Zona 2 pelo bando dos Irmãos Oliveira e liberado na tarde do dia 16, após pagamento de um resgate , cujo valor exato nunca foi revelado. A imprensa apurou na época que o pedido era de 2 milhões de dólares, mas foi baixando até chegar a 500 mil dólares, pagos pela família do empresário com o monitoramento a Polícia Civil do Paraná, que com o auxílio da PM cercou o grupo no município de Nova Tebas, no Vale do Ivaí. Eles sequestraram um ônibus escolar com várias crianças, pais e professores e foram cercados na Estrada do Milho, onde o desfecho, ocorrido no dia 18, foi trágico.

Houve muita negociação na Estrada do Milho, os bandidos soltaram algumas crianças e uma mulher grávida, mas o final foi trágico porque na intensa troca de tiros morreu um delegado, um refém e um dos sequestradores. O chefe do bando, Manoel de Oliveira, ferido e preso no local, era muito conhecido no mundo do crime em todo o Estado. Ele chegou a trabalhar como motorista na Prefeitura de Maringá.

O sequestro do empresário , segundo apurou a polícia, teria sido planejado por um corretor de imóveis. A partir da liberação de Tolardo, seguiu-se uma verdadeira caçada humana aos sequestradores, que durou quase 24 horas. Cercados pela polícia, que teve que negociar muito para salvar a vida das crianças, pais e professores que estavam no ônibus escolar, os Oliveira chegaram a liberar gradativamente alguns reféns, principalmente crianças e uma mulher grávida. Carmen Ruiz de Souza foi trocada por um advogado que se ofereceu para ficar no lugar dela como refém e já desceu do ônibus em trabalho de parto.

O refém Ismael de França, saiu do ônibus como escudo para Joaquim Oliveira, o “Joaquinzinho”, que acabou disparando nas costas da vítima na escada do ônibus. Preso, ele disse que estava exausto e que matou o refém sem querer. O cerco foi acompanhado pela imprensa nacional, inclusive redes de televisão. Morreu no local também o sequestrador Osmar Francisco de Oliveira, um dos três irmãos Oliveira que participou da ação criminosa, do começo ao fim. O chefe do bando, Manoel, foi o que levou um tiro, se fingiu de morto mas acabou preso. Joaquim o outro irmão, também foi detido ao abandonar o ônibus escolar e tentar nova fuga.

“Parecia cena de filme de bang-bang”, disse o cinegrafista Valdir Carniel, que filmava tudo de cima de uma moto niveladora e se assustou quando sentiu uma bala passar zunindo perto do seu ouvido e acertar uma haste de ferro da máquina onde se abrigava. Cesar Tralli, hoje apresentador da Globo News e na época repórter do programa policial Aqui e Agora, do SBT, cobriu o evento e ao chegar na TV Tibagi de Maringá para editar a matéria que iria em rede nacional, afirmou: “Me senti como se estivesse no meio de uma guerra. Num determinado momento até achei que poderia sobrar uma bala pra mim”. Do dia que pegaram o empresário ( 14 de setembro) até o desfecho trágico na Rodovia do Milho , no dia 18 , os irmãos Oliveira protagonizaram um dos sequestros mais longos e de maior repercussão na crônica policial do Estado.

A SAGA DOS OLIVEIRA CONTINUOU – Muitos dos envolvidos naquele crime já faleceram, mas mesmo presos, os irmãos Oliveira conseguiram escapar por várias vezes da cadeia e cometer outros crimes que ocuparam grandes espaços na mídia nacional. Os irmãos Oliveira fizeram parte de uma das quadrilhas mais procuradas pela polícia brasileira, cometendo uma série de crimes em pelo menos seis estados. Além do sequestro de Samuel Tolardo e do ônibus na Estrada do Milho, os irmãos Oliveira se envolveram em diversos assaltos e homicídios, nas décadas de 1980 e 1990. A trajetória da família no crime começou com o assassinato do patriarca, Quintino Francisco de Oliveira, nos anos 1970 no interior do Paraná. A partir daí, e liderados por Manoel, eles não pararam mais.
Outro sequestro envolvendo um dos irmãos Oliveira foi o do irmão dos cantores sertanejos Zezé de Camargo e Luciano. Ozélio de Oliveira , que também participou do sequestro de Samuel Tolardo, estava no grupo que sequestrou o irmão da dupla sertaneja, Wellington Camargo, e o devolveu, após receber o resgate, sem uma das orelhas. Condenado por este sequestro, Ozélio havia fugido da prisão em Goiás e estava entre os cinco bandidos mortos numa troca de tiros com a Polícia Militar do Paraná, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba.

Redação JP
Foto – Reprodução

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