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“Vida que segue” é uma expressão que pode significar a necessidade de seguir em frente, mesmo diante de dificuldades e decepções. Pode também estar relacionada com a superação de um relacionamento amoroso, perda de emprego, falência de um negócio, perda de um ente querido. Enfim em diversas situações onde se poderia dizer que a existência perdeu o sentido.
Há uma música com este título, composta por Rodrigo Leite e Serginho Meriti gravada pelo grupo Tá na Mente, cujo início é o seguinte:
‘E a felicidade está em suas mãos. É só perder o medo e se entregar. Fazer valer a pena. Tornar real o teu sonhar. Difícil enxergar e aceitar o fim. Nem sempre as coisas saem como a gente quer. O amor tem seus problemas. Esteja pronta quando ele vier. Tudo de novo, vida que segue. (…)
A ciência já saberia, e estaria em vias de comprovar, que a vida segue, mesmo quando o corpo morre. Li em @diarioespirita1, post, que cientistas da Universidade de Washington e do City of Hope National Medical Center, descobriram que células humanas continuam ativas mesmo após o falecimento do corpo, reorganizando-se, adquirindo novas funções e até se movendo.
A pesquisa, publicada na plataforma The Conversation, desafia a visão tradicional da morte como um ponto final. Os cientistas identificaram um “terceiro estado”, uma zona entre a vida e a morte, onde as células parecem buscar uma nova forma de existência. Assim como órgãos transplantados continuam funcionando em outro corpo, as células também podem ser “reutilizadas” e reativadas quando recebem nutrientes, oxigênio e sinais bioquímicos.
Os experimentos chocaram até os mais céticos: células da pele de rãs mortas foram observadas se reorganizando espontaneamente e formando estruturas multicelulares capazes de se locomover, como se tivessem consciência própria. Já células pulmonares humanas, mesmo sem um organismo vivo ao qual pertencer, começaram a se mover e demonstraram habilidades de regeneração, podendo até reparar tecidos nervosos danificados.
Se a ciência está começando a provar que a morte não é uma barreira absoluta, o que isso significa para nossa visão espiritual da existência? Poderia essa descoberta ser o elo perdido entre a matéria e a energia que continua além da vida?
Os resultados do estudo não apenas revolucionam a biologia e a medicina regenerativa, mas também levantam questionamentos sobre a consciência, o espírito e os limites entre a vida e a morte. Afinal, se células seguem ativas após o falecimento do corpo, será que a essência do ser humano também permanece viva em outro plano?
No Espiritismo, a morte nunca foi vista como um fim absoluto, mas sim como uma passagem para uma nova forma de existência. Se até as células persistem em sua função após o desencarne, não seria essa mais uma evidência de que a consciência e o espírito também seguem sua jornada? Essa descoberta reforça a ideia de que a vida é eterna, e que a matéria é apenas um veículo temporário para a evolução do espírito.
Eterna não é a palavra mais adequada para definir a vida. Imortal, infinita, soam melhor, como atributo do Espírito que somos, e assim podemos fazer uma distinção com a eternidade de Deus, tomando o termo eterno na acepção clássica, o que não tem começo nem fim, que não foi gerado nem morrerá. Por vezes eternidade é usada na codificação espírita, como sinônimo de imortalidade, aplicável ao que não tem término. Isto ocorre, por exemplo, nas questões 153 e seguinte de O Livro do Espíritos:
Em que sentido devemos entender a vida eterna? “É a vida do Espírito que é eterna; a do corpo é transitória e passageira. Quando o corpo morre, a alma retorna à vida eterna.”
Não seria mais exato chamar vida eterna a dos Espíritos puros, daqueles que, tendo alcançado o grau de perfeição, não têm mais provas a enfrentar? “Essa é antes a felicidade eterna. Mas isso é uma questão de palavras, chamem as coisas como quiserem, desde que se entendam.”
Vida que segue, e nos leva.
Akino Maringá, colaborador
Foto – Reprodução