
Vivi, na minha adolescência, juventude e como adulto, o período que muitos chamam de golpe, outros de revolução, e tantos de ditadura militar, no Brasil, 1964 a 1985, e tudo começou em 1961, com a renúncia de Jânio Quadros, presidente que tomou posse em 31 de janeiro de 1961, deixando o cargo em 25 de agosto do mesmo ano. Ele não havia conseguido eleger o candidato a vicepresidente de sua chapa, Milton Campos (naquela época votava-se separadamente para presidente e vice). Quem se elegeu para vicepresidente foi João Goulart, o Jango, do PTB.A renúncia seria o primeiro passo de um autogolpe de Estado ,imaginando que não seria aceita pelo Congresso, pelas Forças Armadas e até pelo povo, que lhe implorariam que reconsiderasse. Aproveitaria o clamor e, como condição para a volta, exigiria mais poder de mando do que o previsto pela CF 1946. Tendo êxito o autogolpe, Jânio alcançaria o objetivo de se transformar num presidente com superpoderes ou até mesmo num ditador.
Num discurso, logo após, o senador Argemiro de Figueiredo (PTB-PB) disse que foi acertada a decisão do Congresso de não cair na armadilha de Jânio Quadros, dizendo que renúncia foi a tática premeditada de um homem que se julgava o único capaz de reorganizar a vida nacional.
Consta que Jânio sabia que as Forças Armadas não tolerariam a posse do vice João Goulart, que mantinha estreitas relações com os sindicatos trabalhistas, muitos dos quais dirigidos por comunistas. Isso despertava nos militares, mais identificados com a direita, o medo de que o Brasil, com Jango, tomasse o caminho do comunismo. De fato, os militares de fato vetaram a posse do vice, o que caracteriza uma intervenção militar. Leonel Brizola, então governador do RS, ameaçou pegar em armas para garantir o cumprimento da Constituição. A renúncia, portanto, deixou o Brasil à beira de uma guerra civil.
A guerra foi evitada porque os senadores e deputados negociaram a adoção do parlamentarismo. Com os poderes de Jango
limitados, as Forças Armadas aceitaram a posse, encerrando a crise. Mais tarde, por meio de um plebiscito em 1963, os brasileiros decidiriam pela volta do presidencialismo e tudo indica que os militares não engoliram, e menos de um ano depois aconteceu o que eles consideram a revolução de 64.
O clima de golpismo permeou todo o curto governo de Jânio Quadros. Quando estudantes universitários organizaram uma greve no Recife, depois que o diretor da Faculdade de Direito tentou impedir uma palestra da mãe do revolucionário Ernesto Che Guevara, o presidente mandou tanques do Exército e até navios da Marinha reprimirem o movimento estudantil. Foi uma demonstração exagerada e gratuita de força bélica.
Em outro momento, sem maiores explicações, transferiu a sede do governo federal provisoriamente de Brasília para São Paulo. Dessa forma, deu a entender que tramavam um golpe contra o governo e que na capital paulista, seu reduto eleitoral, poderia melhor se defender.
Uma das diversas sindicâncias abertas por Jânio para devassar negócios do governo de Juscelino Kubitschek apontou, sem provas, que Jango cometera irregularidades. Ele (que também fora vice de JK) reagiu publicamente à acusação. Com o episódio, o presidente fabricou a ilusão de que o país estava mergulhado numa crise política.
Não me lembrava de todos esses detalhes, que são apenas um resumo de matéria da Agência Senado, e ao final o link, para leitura da matéria completa, e o leitor tirar as próprias conclusões .
As minhas são que Jânio , que era, digamos, uma figura exótica, com semelhanças com outro ex- presidente, recente, pensou em um golpe, que não se consumou graças ao congresso e às forças armadas, que depois o deram, com apoio até do EUA, e de boa parte da imprensa brasileira. Sem isso, não há golpe possível, hoje. Leia mais aqui https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/arquivo-s/ha-60-anos-congresso-aceitourenuncia-e-abortou-golpe-de-janio-quadros
Akino Maringá, colaborador
Foto – Reprodução