Maringá, 21 de Novembro de 2018
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16.10.2018
Mais de 75% dos partos da rede pública são cesáreas
De janeiro a setembro deste ano, a rede pública de saúde de Maringá realizou 3.801 partos. Do total, 2.945 (77%) foram cesarianas e 856 (22%) partos normais. Além disso, os dados da Secretaria de Saúde apontam que o mês que mais teve nascimento foi janeiro, com 470 partos (363 cesáreas e 107 partos normais). Esses procedimentos foram realizados no Hospital Universitário e Santa Casa, que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“As mulheres têm medo do parto normal, mas ele é bom para elas e para os bebês. O principal benefício é que a criança vai nascer a hora que ela tem que nascer e na cesárea corre o risco de nascer antes. Hoje, o grande índice de mortalidade infantil pode estar vinculado ao número grande de cesárias”, disse Lucineia da Silva Lucas, coordenadora da Saúde da Mulher.

A coordenadora informou que a rede pública se movimenta para estimular o parto normal, derrubando a cultura da cesariana entre a população. O município tem um comitê de estímulo ao parto normal e diversos outros trabalhos.

“No hospital em que a mulher vai ganhar o bebê, profissionais trabalham no convencimento. No pré-natal e grupos de gestantes isso também é transmitido”, contou Lucineia.

Em relação ao mesmo período do ano passado, Maringá também teve mais partos por cesariana. Foram 3.963 procedimentos, sendo 3.049 (76%) cesáreas e 913 (23%) partos normais.

MUNDO
A América Latina é a região com maior taxa de cesáreas do mundo, com 44,3% dos nascimentos. O Brasil é o segundo país que mais realiza esta cirurgia, segundo um estudo que alerta para uma \"epidemia\" mundial deste parto, que deve ser realizado apenas em casos específicos.
No País, 55% dos partos são cesáreas.

Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece em até 15% a proporção recomendada. O estudo ainda constata uma ligação estreita entre as cirurgias e a faixa de renda e de educação das mulheres. A maioria das cesáreas acontece em gestações de baixo risco, 54,4% deste tipo de partos são feitos em mulheres de nível educacional elevado e 19,4% de nível mais baixo.

O número de nascimentos por cesárea no planeta praticamente duplicou em 15 anos, de 12% para 21% entre 2000 e 2015, e superou os 40% em 15 países. A estimativa é que entre 10% e 15% a proporção de cesáreas necessárias por motivos médicos. Porém, 60% dos 169 países estudados estão acima dessa faixa, e 25% abaixo, de acordo com o estudo baseado em dados da OMS e da Unicef.

Entre os 15 primeiros do ranking também se destacam os seguintes países latinos: Venezuela (52,4%), Chile (46%), Colômbia (45,9%), Paraguai (45,9%), Equador (45,5%), México (40,7%) e Cuba (40,4%).

Victor Cardoso
Foto - PMM
 
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