Policial Região

Feminicídio na França abala duas famílias de Paiçandu

O casal morava há um ano e meio em Paris e na última sexta-feira a relação dos dois jovens terminou de forma trágica

A família de Franciele Alves diz que ela havia relatado em mensagens no WhatsApp que vinha sendo agredida pelo marido Rodrigo Martin, que a impedia de sair de casa, por ciúmes. Ela foi encontrada morta sexta-feira no apartamento onde o casal morava com duas crianças, uma de 2 e outra de 4 anos, na periferia de Paris. Uma vizinha contou à polícia francesa que ouviu discussão e gritos no apartamento do casal e pouco depois ele saiu com as crianças e pediu que a vizinha chamasse a polícia. Quando os policiais chegaram encontraram a jovem agonizando com uma faca cravada no peito. Socorrida ela morreu ao dar entrada no hospital.

Segundo a Rádio França, onde trabalha o maringaense Élcio Ramalho,
Rodrigo se entregou no sábado e confessou o crime. Os filhos do casal ele havia deixado na casa do patrão (trabalhava em uma empreiteira) , mas ontem as crianças já estavam sob proteção da justiça francesa. A mãe dele, que também reside na França, tenta obter a guarda dos meninos. Mas a família de Franciele Alves disse que iria procurar o Itamaraty para pedir ajuda. Ela quer trazer o corpo para sepultar em Paiçandu e trazer também as duas crianças. Um grupo de mulheres da igreja que Franciele frequentava já estaria se movimentando no sentido de levantar doações para viabilizar o translado. Além disso, uma “vaquinha” corre nas redes sociais com o objetivo de arrecadar dinheiro para ajudar a família da vítima.

Vinha sendo ameaçada – Dias antes de ser assassinada, Franciele já vinha reclamando para seu irmão Leandro Gabriel , por mensagens de celular, que o relacionamento dela com o marido não andava bom. Rodrigo a tinha agredido fisicamente e a impedia de sair de casa. “Ela relatou que foi agredida várias vezes por ele. O Rodrigo impedia ela de sair, monitorava a vida dela. Um tempo atrás ela disse ‘não se case com o diabo’. A Franciele pediu ajuda em uma igreja de lá, os dois tiveram assistência de casal, ele se comprometeu a mudar, mas não foi isso que aconteceu”, lamentou Leandro. Nas redes sociais, Franciele tinha postado uma estranha mensagem no início da semana passada: “Não se case com a morte – não adote um barbado. Se relacionar com alguém que só te faz sofrer é se entregar à morte e esperar que ela não vá acontecer”.

Os dois eram casados há cinco anos e há um ano e meio decidiram ir embora do Brasil para tentar melhorar de vida. Estavam morando clandestinamente na França mas tentavam a legalização. Segundo a família dela, quando morava em Paiçandu , o casal era unido, Rodrigo vivia bem com a jovem esposa e os familiares dela. Mas já em Paris, ele começou a mudar de um certo tempo para cá. “Minha irmã começou a viver praticamente em cárcere privado e já tinha manifestado o temor de que acabaria sendo morta”, contou Leandro ao Portal G1.

Redação JP
Foto – Arquivo pessoal

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